ORAÇÃO DO VELHO

12/04/2013 14:14

 

            Nesta época em que muitos espíritos alertas vêm a público em defesa do velho, uma leitora admirável pela inteligência, pelo valor pessoal, pela acuidade e poder de observação, enviou-me de algum lugar de Minas esta “Oração” que ela encontrou em revista médica do marido e que traduziu e fez imprimir.

            “Senhor, sabes que estou envelhecendo. Resguarda-me da tagarelice e da idéia fixa de só falar a propósito de tudo, livra-me da tentação da prolixidade e torna-me mais objetivo. Sela meus lábios quando me vires propenso a mencionar minhas dores e sofrimento; elas aumentam com os anos e, à proporção que o tempo passa, é para mim cada vez mais fácil falar delas. Ensina-me a  gloriosa lição de às vezes posso estar enganado. Faze-me atencioso, mas não intrometido; prestimoso, mas não autoritário; com um vasto cabedal de sabedoria e experiência. É pena que não possa colocar tudo isso inteiramente em uso. Mas sabes, Senhor, que quero ter alguns amigos até o fim!”

            Como podem analisar, a oração é curta, mas condensa muito bem o vício das pessoas idosas de falarem de si mesmas, de suas lembranças, do passado, que os jovens consideram maçantes; de suas dores que a ninguém interessam e, sobretudo, de corrigir o próximo, idéia que todos abominam.

            Extraída de uma revista que situa o velho como um eterno marginalizado, a intenção do autor, foi de certo, advertir aos incautos, para que suas vidas se tornem menos amargas.

            Em outros tempos, o costume entre os mais novos era saber como se tratar os velhos; hoje em dia, os papéis se inverteram. Temos hoje de ensinar aos velhos como lidar com os moços, a fim de que no desvalimento sofram menos ou não sofram tanto; é a época em que vivemos.

            Conselhos e críticas não adiantam mais. É preciso mais compreensão, mais colaboração, tudo de acordo com os tempos atuais, sob uma sábia orientação.

 

Para os amigos dos velhos

 

 

Abençoados são aqueles que compreendem meus passos vacilantes.

Abençoados são aqueles que sabem que hoje meus ouvidos precisam se esforçar para aprender as coisas que dizem.

Abençoados são aqueles que parecem saber que meus olhos são embaçados e meu espírito vagaroso.

Abençoados os que olharam para o outro lado quando hoje derramei café na mesa.

Abençoados são aqueles com um alegre sorriso param para conversar um pouco.

Abençoados são aqueles que nunca dizem: “Você contou esta história duas vezes hoje!”

Abençoados aqueles que sabem como trazer de volta lembranças de outrora.

Abençoados os que percebem o meu desalento em encontrar forças para a Cruz carregar.

Abençoados são aqueles que com bondade suavizam minha jornada à última Morada.

 

Autor desconhecido